Qual o verdadeiro impacto do consumo/produção de carne?

16/04/2018

Veja os principais dados e informações científicas que comprovam que a produção industrial de carne é responsável por boa parte dos problemas ambientais modernos: Desmatamento, Aquecimento Global, Poluição das Águas, Escassez de Recursos Naturais, Perda da Biodiversidade, dentre outros. 

 

 

O que a população não sabe

 

A pecuária industrial moderna é responsável por grande parte dos problemas ambientais do planeta. Sob diversos aspectos se trata da atividade que mais gera impactos ambientais, do nível local ao global [1,2]. Diversos estudos científicos de diferentes áreas confirmam isso [2,3,4,5,6], no entanto, boa parte da população menos informada e, até mesmo, formadores de opinião, políticos, a mídia, bem como tomadores de decisão que atuam diretamente com o tema desconhecem ou omitem esse fato [7].


Esse site surgiu com o objetivo de mostrar essa realidade, para que saibamos onde está a espinha dorsal (ou pelo menos boa parte) dos problemas ambientais atuais, os quais trazem tanto risco para o bem estar e sobrevivência humana [8,9].


Apesar de alimentação se tratar de um assunto delicado e individual, as consequências da demanda

que geramos, da forma com que consumimos ou não consumimos, transcendem a esfera pessoal. Existem diversas óticas sob a qual podemos observar os impactos das elevadas e crescentes taxas de consumo de carne na sociedade atual: os impactos na saúde [4,10,11], a importância e consequências econômicas e sociais [2,4], os aspectos éticos e relacionados com o direito dos animais [12,13]. Entretanto, ainda que todos esses temas se entrelacem com a temática ambiental de alguma forma, o foco desse site é mostrar a realidade socioambiental oculta por detrás do consumo massivo de carne, através de informação científica de qualidade.

 

Obviamente, as problemáticas ambientais do mundo não se resumem somente à pecuária, a situação é muito mais complexa e estrutural do que isso. Nosso sistema político-econômico, diversos aspectos sócio-culturais, o fato de estarmos inseridos em uma sociedade industrial de consumo em massa. Enfim, são diversos aspectos que configuram a preocupante realidade atual, no entanto, é fato que, dentro desse cenário, um dos fatores que mais potencializa a degradação ambiental é a produção de carne.


Por isso, neste texto, trazemos um compilado rápido (com as respectivas referências bibliográficas) de dados que mostram a relação da pecuária industrial com os principais problemas ambientais modernos. Cada tópico será melhor desdobrado e explicado em outros artigos do site (veja aqui a lista de assuntos), mas, confira abaixo um resumo desse panorama tão preocupante:

 

Desmatamento e uso do solo

  •  Até 50% das terras (não cobertas por gelo) no planeta ou são usadas ou já foram degradadas pela pecuária [14].

  • 75% das terras agrícolas do planeta são utilizadas ou como pastagem ou para produção de ração [15].

  • 80% da área desmatada no Brasil entre 1990 e 2005 se deve à produção de carne [16].

 

 

Perda da biodiversidade

  • Estima-se que a uma redução no consumo de carne pode ser o fator chave para reduzir a perda da biodiversidade futura [17].

  • Calcula-se que uma redução global no consumo de carne possui o potencial de evitar a perda de até 60% da biodiversidade futura até o ano de 2050 [18].

  • Atualmente, a pecuária industrial é o fator humano de maior impacto sobre a taxa de extinção de espécies [14].

 

 

 

Poluição das águas

  • O setor da pecuária é provavelmente a maior fonte setorial de poluição de água do planeta [14].

 

Escassez de água

  • Além da grade quantidade de água poluída pelo setor, a pecuária consome pelo menos 1/3 de todo do montante de água gasto no planeta [20].

  • 1kg de carne gasta, em média, 15500 litros de água para ser produzido [21].

 

Alimentos

  • Cerca de metade da produção mundial de grãos é destinada à pecuária [14].

  • Para a produção de 1kg de carne são necessários pelo menos 7kg de ração [14].

 

Energia

  • Produzir 1kg de carne consome, em média, 13 vezes mais combustíveis fósseis do que 1 kg de alimentos de origem vegetal [14].

 

O que fazer então?

 

Agora já é possível entender que a pecuária é o que, provavelmente, mais causa impacto ambiental no mundo, mas o que fazer? Temos todos que virar vegetarianos?

Apesar do nosso entusiasmo pelo vegetarianismo, tendo em vista os seus benefícios socioambientais [4,6] e, apesar de saber que uma adoção global de um estilo de vida sem produtos de origem animal pode trazer diversos benefícios para a saúde humana e para a economia global [4], sem falar nos benefícios para os próprios animais [17,18], sabemos que alimentação é, também, uma questão pessoal e cultural. Por conta disso, mesmo encorajando as dietas vegetarianas, e o próprio veganismo, e sabendo de seus significativos benefícios ambientais, o ponto principal é que: é necessário que haja uma redução global no consumo de carne. O que os trabalhos acadêmicos que tratam do tema mostram é que uma transição para dietas baseadas em plantas (plant-based diets) está entre as atitudes individuais que mais podem ser significativas para combater os grandes problemas socioambientais modernos.

 

Por Ravi Orsini

QUER SABER MAIS?

Para conhecer mais sobre os impactos da pecuária recomendamos os seguintes trabalhos (todos disponíveis online): 
O "Atlas da Carne", produzido Heinrich Böll Foundation.

O relatório: "Livestock Long Shadow" produzido pela FAO-ONU.
O trabalho da SVB: "Comendo o Planeta".

REFERÊNCIAS CITADAS NO TEXTO: 

 

1.          Goodland, R. & Anhang, J. Livestock and climate change: what if the key actors in climate change are… cows, pigs, and chickens? World Watch Institute 10–19 (2009).

2.          Heinrich Böll Foundation. Meat atlas: facts and figures about the animals we eat. Heinrich Böll Stiftung and Friends of the Earth Europe (Heinrich Böll Foundation, 2014).

3.          Scarborough, P. et al. Dietary greenhouse gas emissions of meat-eaters, fish-eaters, vegetarians and vegans in the UK. Clim. Change 125, 179–192 (2014).

4.          Springmann, M., Godfray, H. C. J., Rayner, M. & Scarborough, P. Analysis and valuation of the health and climate change cobenefits of dietary change. Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A. 113, 4146–4151 (2016).

5.          Fox, M. A. Vegetarianism and planetary health. Ethics Environ. 5, 163–174 (2000).

6.          Greif, S. Sustentabilidade econômica e ecológica mediante a opção pelo vegetarianismo. Cad. Debate IX, 55–69 (2002).

7.          Lahsen, M. Buffers against inconvenient knowledge: Brazilian newspaper representations of the climate-meat link. Desenvolv. e Meio Ambient. 40, 17–35 (2017).

8.          Díaz, S., Fargione, J., Chapin III, F. S. & Tilman, D. Biodiversity loss threatens human well-being. PLoS Biol. 4, 1300–1305 (2006).

9.          PALMIN, D. & ARMSTRONG, S. Global Challenges. (2015).

10.        Tilman, D. & Clark, M. Global diets link environmental sustainability and human health. Nature 515, 518–522 (2014).

11.        Cantor, D., Bonah, C. & Dörries, M. Meat, medicine and human health in the twentieth century. (Pickering & Chatto, 2010).

12.        Walters, K. S. Vegetarianism: a guide for the perplexed. (Bloomsbury Academic, 2012).

13.        Azevedo, E. Vegetarianismo. Demetra 8, 275–288 (2013).

14.        Food and Agriculture Organization of the United Nations. Livestock’s long shadow: environmental issues and options. (Food and Agriculture Organization of the United Nations, 2006). doi:10.1007/s10666-008-9149-3

15.        Foley, J. A. et al. Solutions for a cultivated planet. Nature 478, 337–42 (2011).

16.        Food and Agriculture Organization of the United Nations. El Estado de los bosques del mundo. (Food and Agriculture Organization of the United Nations, 2016).

17.        Machovina, B., Feeley, K. J. & Ripple, W. J. Biodiversity conservation: The key is reducing meat consumption. Sci. Total Environ. 536, 419–431 (2015).

18.        Netherlands Environmental Assessment Agency. Rethinking global biodiversity strategies. (Netherlands Environmental Assessment Agency, 2010).

19.        Barreto, P. Como reduzir a contribuição da pecuária brasileira para as mudanças climáticas? (2015).

20.        UNESCO. Water for People Water for Life. Water 36 (2003). doi:10.1017/CBO9781107415324.004

21.        Chapagain,  a K. & Hoekstra,  a Y. The green, blue and grey water footprint of farm animals and animal products. Unesco 1, 80 (2010).

22.        Heinrich Böll Foundation. Atlas da carne: fatos e números sobre os animais que comemos. (Heinrich Böll Foundation, 2015).

23.        Schuck, C. & Ribeiro, R. Comendo o planeta: impactos ambientais da criação e consumo de animais. (Vesper AMB, 2015).

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